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[Entrevista] A importância da gestão da inovação

29 setembro 2017

Jorge Possollo, Diretor Geral da GEFCO Portugal responde a três perguntas sobre inovação em gestão.

P: Atualmente, como caracteriza a influência da inovação nas empresas ?

O progresso exponencial da tecnologia, dita a mudança acelerada dos países, das sociedades, das instituições, das empresas e das pessoas em geral.
Vivemos numa era em que a taxa de obsolescência voa. Imperam a incerteza, a instabilidade, o desconforto, a pressão, a ansiedade, etc.
As “startups”, o empreendedorismo e a inovação, estão na ordem do dia.

P: Qual é a maior barreira para a implementação de inovações no mercado?

São inúmeras as dificuldades na implementação de inovações, tanto em startups como em empresas e mercados ‘maduros’.
A maior barreira para as startups, é a capacidade de atrair o financiamento necessário, devido a vários fatores e nomeadamente à incerteza associada ao lançamento de produtos ou serviços inovadores.
Nas empresas maduras, o financiamento cede o primeiro lugar como principal obstáculo, à ‘bagagem’ da própria empresa. Por bagagem entenda-se os processos pré instituídos desde sempre, as mentalidades, os preconceitos, a resistência à mudança, a concorrência direta que eventuais inovações frequentemente trazem aos próprios produtos tradicionais da empresa e o ressentimento que esta situação provoca no negócio tradicional. Toda esta ‘bagagem’ age em conjunto contra o sucesso da inovação.
A Gestão da Inovação aborda precisamente estes problemas e como os ultrapassar, facilitando a inovação de sucesso.

P: Para as empresas maduras, quais é que considera os três principais pilares no processo de inovação?

Entre as inúmeras vertentes que é necessário abordar e trabalhar para catalizar a inovação em empresas maduras, há 3 alavancas que considero transversais a todas as empresas e que por esse facto adquirem uma importância acrescida:

• Implantação de uma Cultura de Inovação
Uma cultura de inovação significa, estarmos preparados para correr riscos e para falhar, preparados para aprender com os insucessos e melhorar a cada iteração, preparados para ouvir todos os colaboradores, preparados para ouvir o mercado e identificar as suas “dores”, preparados para pôr em causa modelos de negócio com provas dadas, preparados para aceitar que o sucesso provado do actual modelo de negócio bem sucedido, pode desaparecer num ápice, preparados para investir em inovação, precisamente quando o actual modelo de negócio tem rentabilidades recorde, preparados para ser humildes mesmo quando o sucesso sempre nos bateu à porta.

• Distanciamento ou independência
O distanciamento da empresa “mãe”, tanto físico como hierárquico, é fundamental para a inovação “respirar”, para criar os seus próprios processos e modelo de negócio, para adquirir competências assimétricas ou específicas. Todos este fatores tenderão a ser completamente diferentes dos existentes na empresa Mãe, de outro modo a inovação, não será realmente inovação. Daqui a necessidade de distanciamento, de outro modo, a tentação da contaminação será demasiado prevalente e ainda mais se houver dependência hierárquica direta.

• Teste em mercado real e “time to market
Auscultar o mercado e não esperar pelo produto perfeito. A auscultação permite a afinação dinâmica dos conceitos, contribuindo para formar e completar um eco sistema que responda eficientemente às variadas dores do mercado, contribuindo para que o seu novo modelo de negócio seja dificilmente emulável ou até compreensível para a sua “concorrência”. O teste em ambiente real permite identificar cedo os eventuais problemas no modelo de negócio e ferramentas associadas e corrigi-las em ambiente real, contribuindo para um lançamento mais rápido no mercado.

Muitos outros aspetos são importantes para o sucesso. Sem os 3 aspetos anteriormente mencionados a única certeza, é o insucesso da inovação.

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